Especialista diferencia tesão por compulsão sexual – O vicio

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020 09:56:23 America/Sao_Paulo

Não é por acaso que a pergunta “o que é libido?” foi a mais procurada no Google em 2019: a palavra quer dizer vontade de fazer sexo e pode gerar muitas dúvidas. Enquanto algumas pessoas se queixam de que o apetite sexual anda mais baixo do que o normal, outras se preocupam com o excesso. Há, inclusive, quem cogite a possibilidade de estar sofrendo de um transtorno devido ao desejo elevado.

Mas o que diferencia aqueles que gostam muito de transar dos que sofrem de uma compulsão? O psiquiatra Bruno Coelho adianta que a resposta não tem a ver com números: “É impossível diagnosticar alguém como compulsivo com base na quantidade de vezes que tem relações sexuais ou se masturba durante o dia, por exemplo”. Os critérios são subjetivos e variam de acordo com a personalidade e o estilo de vida de cada um.

Ninfomania: um termo antigo

Os profissionais ouvidos pela reportagem relembram que a palavra ninfomania não é mais usada no meio médico, assim como o termo “satirismo”, que seria o equivalente à compulsão sexual masculina. “Hoje em dia entende-se que não existe diferença entre homens e mulheres. Por isso o correto é se referir ao transtorno como desejo hiperativo ou compulsão sexual, que abrange ambos os sexos”, aponta o psiquiatra Fernando Calderan.

Principais características

Quem sofre com o problema comete excessos com relação às práticas sexuais. “A pessoa sente necessidade de se masturbar em lugares inoportunos e quase nunca se sente satisfeita depois de uma relação sexual”, explica Fernando. De forma descontrolada, pode se colocar em situações de risco, como ter relações com múltiplos parceiros, procurar profissionais do sexo e dispensar o uso preservativo, o que a deixa vulnerável para contrair doenças. Consumir pornografia em excesso também pode ser um problema.

O limite quem define é você

Então basta preencher os critérios acima para se encaixar na categoria de compulsivo? Nem sempre. Fernando relembra que os parâmetros não são . “É preciso cuidado para não transformar um comportamento normal em patologia. Por isso o assunto ainda é alvo de debate no meio psiquiátrico: nem todas as perguntas são fáceis de responder. O que é um lugar inoportuno, por exemplo?”, questiona.

Bruno concorda. “O comportamento só pode ser considerado anormal se estiver trazendo sofrimento ou prejuízos para a pessoa. Se ela não consegue estabelecer relações afetivas pela necessidade de trocar constantemente de parceiros, se não consegue se concentrar no trabalho ou se já chegou a se machucar pelo excesso de masturbação, por exemplo, o indicado é que procure ajuda de um profissional”, ressalta. O psiquiatra alerta ainda para a possibilidade de a pessoa estar sofrendo de mais de um problema ao mesmo tempo. “Vícios em outras substâncias, como álcool ou drogas e desordens como transtorno bipolar podem acontecer simultaneamente”. O tratamento, segundo o psiquiatra, varia de acordo com diagnóstico, mas geralmente é feito à base de medicamentos que ajudam a controlar os impulsos e psicoterapia.

Libido alta não é coisa de homem

“Nossa cultura parte da premissa de que a mulher deve ser recatada e de que o homem tem características opostas: é mais interessado em sexo, conquistador. Mas isso não corresponde à realidade. Para elas, por questões sociais, pode ser mais difícil admitir o desejo alto, mas ele também pode existir”, detalha Fernando. “A libido feminina ainda é cerceada, mas nada impede uma mulher de ter mais desejo sexual do que um homem, por exemplo. A menos que esteja gerando problemas na rotina ou nas emoções, isso não deveria ser motivo de preocupação”.

Fonte: Universa UOL