Prática do BDSM : Wax Play

sexta-feira, 15 de maio de 2020 07:53:49 America/Sao_Paulo

Além da consensualidade, o BDSM preza que as práticas sejam aplicadas da maneira mais segura possível, é obvio que após uma sessão de wax play, dependendo da intensidade, vão aparecer marcas e a pessoa vai ficar dolorida, mas a segurança citada trata de evitar traumas nocivos à saúde, por isso antes de qualquer sessão tudo é conversado, principalmente no caso de sessões avulsas (onde não há uma relação estabelecida), quando existe um contrato esses limites já foram informados.

A questão toda é que o bom senso é essencial, o São do SSC (São Seguro e Consensual), é vital para uma sessão segura. Então não é indicado o consumo de álcool nem de nenhum tipo de entorpecente, nem pelo Top nem pelo bottom, é muito importante também que o Top conheça, entenda e respeite os limites do bottom, uma vez que ele pode perder o controle sobre si e não conseguir pronunciar a Safeword, ou um gesto ou sinal pré-estabelecido caso a comunicação verbal esteja interrompida.

Toda prática exige estudo dos envolvidos, sim, até mesmo para prender as mãos com um lenço é preciso entender de anatomia e quais são os riscos, é sempre indicado que Dominadores que gostam de extrapolar alguns limites e praticantes de técnicas mais perigosas tenham uma noção de primeiros socorros caso se faça necessário.

O WAXPLAY

O Waxplay é a prática que envolve o uso de velas no corpo do bottom, o que pode ocorrer de duas maneiras: apoiando as velas e forçando a imobilização física por causa do risco e o mais comum, pingando a cera derretida sobre o corpo.

É uma prática considerada muito sensual, prazerosa e bonita, porém requer muita atenção e cuidados para que não aconteçam acidentes, para isso temos que levar em consideração vários fatores determinantes para uma sessão de sucesso:

  • Testar a sensibilidade do bottom: é essencial fazer testes em partes do corpo que são mais resistentes ao calor (vou explicar como já já), verificar se o bottom possui alergia à possíveis aromatizantes ou corantes presentes nas velas escolhidas;
  • Escolher o tipo adequado de cera: a cera indicada para esse tipo de prática é a de parafina com óleo mineral, seu ponto de fusão é de 60°C, o que evita queimaduras;
  • Distância entre a vela e o corpo: vamos à explicação que fiquei devendo, a resistência a dor e a calor varia muito de pessoa para pessoa, para entender o limite a ser respeitado é indicado que sejam feitos testes. Como fazer o teste? Vá pingando a cera da parte interna do braço começando a uma distância entre um metro e trinta e um metro e vinte, e vá diminuindo gradativamente até chegar ao ponto que o incomodo se torna insuportável, a partir daí o Top saberá a que distancia deverá manter a vela do corpo do bottom. O ângulo da vela também determina a quantidade de cera despejada, uma quantidade muito grande despejada de uma vez só pode gerar uma necessidade de uma distância maior. É muito, muito, mas muito mesmo importante lembrar que as mucosas do corpo humano são mais sensíveis, logo, é importante tomar muito cuidado com a distância e quantidade de cera, refaça o teste. O Waxplay envolve paciência, são sessões que podem durar horas devido às variáveis envolvidas.
  • Usar óleo corporal nas áreas com pelos: recomenda-se o uso para evitar que a cera fique grudada, no caso de sessões em que a parafina vai ser jogada nas costas, é importante proteger o cabelo de possíveis respingos, isso pode ser feito com o uso de óleo ou enrolando a cabeça com um lenço;
  • Removendo a cera: aquela parte em que a criatividade entra em cena, a cera pode ser retirada com a ajuda de uma faca (não precisa ser afiada e exige cuidado e conhecimento do Top sobre o manuseio da mesma), pode também ser retirada durante uma massagem, e por quê não durante um castigo com tapas ou utilizando um floger ou chicote.

Não usar nunca:

  • Velas de cera de abelha: o ponto de fusão é de 120°C, ou seja, queimadura na certa;
  • Velas à base de parafina em gel: esse tipo de parafina é altamente inflamável, o que gera um alto risco de incêndio;
  • Velas de espermacete de baleia: tem um cheiro muito ruim e é extraída de animais em extinção;
  • Vela de estearina: também é uma vela de origem animal que possui um cheiro nada agradável;
  • Velas coloridas e aromatizadas (vendidas em mercados e lojas de artesanato, esotéricas, etc): é muito difícil de identificar os tipos de corantes e aromatizantes utilizados, esses corantes e aromatizantes também aumentam a temperatura de fusão, aumentando o risco de queimaduras;

PREPARANDO O AMBIENTE PARA O WAXPLAY

Leve em consideração que vai fazer sujeira, vai respingar parafina sim e parafina é bem difícil de limpar. Então vou dar a dica de ouro para que haja diversão sem arrependimento na hora da faxina: Forre o local! Simples né? Você pode usar: cortinas de plástico (aquelas de banheiro), toalhas plásticas de mesa (daquelas que vende por metro), saco de lixo aberto, qualquer tipo de lona ou o bom e simples lençol velho;

Tenha uma local com uma superfície dura e firme para apoiar suas velas;

Tenha também uma vasilha com água, gelo e uma toalha de mão, caso seja necessário aliviar a pele após algum excesso.

AFTER CARE PARA O WAXPLAY

Em todas as práticas o cuidado posterior é essencial. O after care é momento de conversar, voltar ao mundo real, verificar como está o psicológico do submisso. Se não houver queimaduras graves (bolhas, feridas, descamações), o indicado é uma massagem com loção hidratante, as mais indicadas são as que possuem Aloe Vera e/ou Vitamina E. Caso tenha ocorrido algum problema ao final dessa coluna vou deixar informações sobre como proceder.

Fonte: Blog Pimenta